I-INDICADORES DEMOGRÁFICOS Os fenómenos que o demógrafo, como o economista, analisa, apresentam-se por vezes com extrema complexidade resultante quer do fenómeno em si quer da dificuldade em isolá-lo ou em isolar as suas consequências, elementos que na maior parte dos casos são os únicos de que se dispõe quer para verificar hipóteses, quer para medir a intensi- dade das causas, quer para orientar o combate a situações não desejadas. Estas complexidade e dificuldade de isolamento são realidades que nunca se devem ignorar e de facto se não ignoram quando se procura sintetizar por meio de indicadores os fenómenos em estudo. Estes indicadores, quase sempre designados por índices e taxas, não iludem o técnico que se dá conta do que se perde em rigor pelo que se ganha em facilidade de apreensão. Têm, contudo, o inconveniente de se designarem em geral por nomes que muitas vezes levam os menos prevenidos a querer usá-los para inferên- cias a que se não prestam porque para isso não foram construídos. Por outras palavras, um índice ou uma taxa tem a sua utilidade, mas para que tal utilidade não seja interpretada errôneamente torna-se necessário juntar ao número que os representa uma soma de esclarecimentos que, para serem completos, faria per- correr em sentido inverso o caminho que, partindo da complexidade do fenómeno, tinha zonduzido a esse indicador. | Não se deve contudo daqui inferir da inutilidade dos indicadores, mas que um indicador só por si diz pouco ou pode mesmo induzir em erro. Daqui a necessidade de: 1.º estabelecer normas de modo que um indicador com determinado nome resulte sempre da aplicação dos mesmos métodos de cálculo; 2.º que a interpretação desses indicadores nunca se faça isoladamente. Deste modo uma situação, demográfica, económica ou outra será definida não por um só indicador mas por vários indicadores. Aumentar o número deles fará aumentar o rigor da análise ao mesmo tempo que dificultá-la porque aumen- tando o número de variáveis aumenta a complexidade. Resumindo: A complexidade de um fenómeno não desaparece com o cálculo de indicadores. Uma análise completa exige tantos indicadores que a inferência baseada nestes pode vir a ser tão complexa como a análise do fenómeno directamente. O cálculo de indicadores implica a confissão de que a análise directa é impraticável ou incómoda, “ecorrendo-se, por meio deles, à análise indirecta e parcial. É o domínio da Estatística. Aceite esta posição não se deve pedir à Estatística uma análise completa ; por vezes, apenas se consegue estabelecer um método que indique a marcha do fenómeno sem