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É indiscutível que as bases em que assenta o método exposto tem atractivos que
justificam a atenção que tem merecido mas é também evidente que, conforme o próprio
Bourgeois-Pichat reconheceu, a sua aplicação de acordo com as definições dadas, é
extraordináriamente difícil e mesmo impossível nos países que não disponham das
estatísticas necessárias. |

Torna-se com efeito necessário dispor de:

1.º Uma divisão das causas de morte em endógenas e exógenas.

2.º Um respeito mínimo por essa divisão nas declarações de óbito.

3.º O estabelecimento de um critério para os casos de causas múltiplas.

1.º Um apuramento por causas de morte em que essa divisão seja aplicável,

As dificuldades inerentes às três primeiras condições são evidentes o que levou
Bourgeois-Pichat a procurar um método de análise a que chamou biométrico para
substituir o que se apoia nas estatísticas das causas de morte. Tal método consiste em
aproveitar conceitos já há muito estabelecidos relacionando a resistência do organismo
indirectamente com a idade por meio de expressões algébricas, |

Assim diremos que a probabilidade de morte com menos de n dias de idade
resulta da actuação de duas ordens de causas, uma interna outra externa, e que, como
fâcilmente se aceita, a manifestação das causas internas cessa a partir de uma certa
idade a e que a das outras. as externas, é função da idade isto é
D (n)=a+b. f(n)
n >

il

Inde

D (n) == probabilidade de morte com menos de n dias
a = probabilidade de morte devido a causas internas
b. f (n) == probabilidade de morte devido a causas externas
Estudos anteriores tinham já relacionado a mortalidade com a evolução ponderal
dos indivíduos de baixa idade, dando para a função f (n) a forma
b. f(n)==b. [log p. — log po]
nde
pr. == peso à idade n
po == peso à nascença
bp == constante

ou ainda outras em que a evolução ponderal não aparece explicitamente mas por inter-
médio da idade em dias, como
b. fín)=—=b. log (n-+1)

(2)

Verificou mais Bourgeois-Pichat que, fosse qual fosse o nível da mortalidade, se
mantinha a relação
b. f(n)=—=k (n). b. f (365)

(3

isto é, que a probabilidade de morte por causas externas de indivíduos com menos de n