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Este problema é tratado de maneira ligeiramente diferente no caso das taxas
referidas ao número de nascimentos. Neste caso registam-se nascimentos ao longo de um
ano e mortes com menos de um ano no mesmo período e é evidente que, como ante-
riormente, dos indivíduos nascidos num dado ano alguns morrerão nesse ano e portanto
estarão incluídos no grupo de mortes registadas com menos de um ano, outros irão
morrer no ano seguinte antes de completarem o ano e serão incluídos nos registos do ano
seguinte, do mesmo modo que no registo de mortes de menos de um ano no ano em
estudo figurarão algumas correspondentes a nascimentos do ano anterior. Procura-se
agora saber em que proporções os nascimentos do ano e do ano anterior contribuem
para as mortes registadas com menos de um ano nesse período e obter à custa delas o
grupo a que devemos referir as mortes de menos de um ano observadas. Embora com
menos lógica essas proporções são designadas ainda por factores de separação, e o .con-
ceito é extensível a períodos menores, como meses ou grupos de meses.

Nota relativa ao ano de 1941

Segundo o método biométrico de Bourgeois-Pichat, o ano de 1941 apresenta uma
anomalia traduzida pelo facto de os valores das taxas de mortalidade total observadas
se não ajustarem a uma linha recta, de tal modo que a aplicação do método conduz. ao
valor 7,92 para a mortalidade endógena, enquanto nos restantes anos observados se
obtem uma taxa de valor médio 16,85. Aceitar o método biométrico implica subdividir
as observações de 1941 ajustando não uma recta ao conjunto mas duas ou mais de
forma que em cada troço as hipóteses base se verifiquem. Equivale isto a dizer que a
geração em estudo, inicialmente sujeita a uma mortalidade endógena e a uma exógena,
passou a partir de certa idade a estar sujeita a um padrão de mortalidade diferente.
Como, dentro das hipóteses, tal alteração não pode resultar da mortalidade endógena,
ela resultará da exógena. A recta ajustada às taxas observadas com menos de 1 mês,
menos de 2 meses e menos de 4 meses dar-nos-á a mortalidade endógena medida pela
sua ordenada na origem.

AÀ recta assim ajustada tem por equação
D (n)=18,65-4-Rk (n). 114,17
A recta ajustada aos valores referentes a <7 meses<10 meses e<CÚ 12 meses
tem por equação
D (n) = — 28,34 — ke (n). 185,00

Diremos assim que no ano de 1941 o padrão de mortalidade iniciado com as
caracteristicas 18,65 como mortalidade endógena e 114,17 como mortalidade exógena
sofreu, a partir dos 7 meses, uma alteração que elevou a taxa exógena de 114,17
para 185,00.