IV — TÁBUAS DE MORTALIDADE, SUA INTERPRE-
TACÃO E SUAS LIMITAÇÕES

O instrumento de análise demográfica que mais atenção tem merecido é, sem
dúvida, a Tábua de Mortalidade e é também aquela cujo uso está mais espalhado
devido sobretudo ao desenvolvimento dos seguros sobre a vida humana.

Esta atenção tem feito desenvolver os métodos de cálculo e os de tratamento dos
dados de observação no sentido de se obter uma medida das probabilidades anuais de
morte por idades em vez de taxas de mortalidade. Entende-se por taxas o valor do
cociente entre o número de mortes observadas num grupo e o total desse grupo num
dado intervalo de tempo. Trata-se, como se vê, de uma definição concreta e o seu valor
só não será determinado com rigor devido às dificuldades de contagem dos efectivos dos
grupos que se comparam. Por probabilidade anual de morte entende-se um parâmetro
duma população de que se observa uma parte (amostra) medindo-se nesta amostra uma
taxa de mortalidade e procurando dela inferir qual o valor mais provável do parâmetro
da população. Há agora motivo vara atender a êrros de amostragem o que não sucede
no caso das taxas. .

Estas probabilidades de morte anuais formam o núcleo da Tábua de Mortalidade
e o seu cálculo põe ao demógrafo o duplo problema de tratamento dos dados para
obtensão de taxas e de inferência a partir destas da provável grandeza das probabili-
dades de morte.

Notemos desde já que se trata dum fenómeno de massa e que as probabilidades
que se determinam se referem ao grupo e não ao indivíduo e que tomaremos como
probabilidade o limite estocástico da frequência de ocorrência do acontecimento, ficando
assim a determinação sua sua estimativa dependente de se dipor dum número suficien-
temente grande de observações.

Define-se probabilidade anual de morte à idade x para um dado agregado como
sendo a probabilidade que um indivíduo desse agregado tem de morrer antes de atingir
a idade x-+ 7, É esta a definição corrente e, embora se refira ao indivíduo, é insepará-
vel do agregado. Deve apenas interpretar-se no sentido de que num sub agregado de
efectivo N de composicão identica à do agregado total devemos esperar N. q. mortes
se for q, a probabilidade de morte nesse agregado.

Ao falarmos em composição idêntica temos em mente que o agregado observado
não é homogéneo no que respeita à característica em causa, isto é, que seria possível