Full text: Análise de alguns indicadores demográficos

II — MORTALIDADE INFANTIL 
ENDÓGENA E EXÓGENA 
Desde 1946 que Bourgeois-Pichat vem, em sucessivos artigos e comunicações, 
chamando a atenção para a vantagem de, sob o duplo ponto de vista de análise e compa- 
rabilidade, dividir a taxa de mortalidade infantil na soma de duas componentes. Nos 
documentos E/CN. 9/75 de 19/Março/1951 e E/CN. 9/L. 15 de 15/Abril/1951 da 
Comissão da População das Nações Unidas faz-se uma apreciação dos conceitos e méto- 
dos expostos por Bourgeois-Pichat, recomendando-se que a sub-divisão da taxa de mor- 
talidade infantil clássica seja utilizada sempre que possível como um passo em frente no 
estudo do fenómeno, mas fazendo depender a substituição da antiga taxa pelas novas de 
um aperfeiçoamento dos métodos propostos. 
Pretende-se aqui fazer uma aplicação do método de Bourgeois-Pichat, ao mesmo 
tempo que verificar se as hipóteses em que o mesmo se baseia se aplicam ao caso por- 
tugês. 
Bourgeois-Pichat raciocina do modo seguinte: 
A mortalidade infantil clássica (*) resulta de causas várias que Bourgeois-Pichat 
divide em dois grupos. O primeiro inclui aquelas a que se pode atribuir uma origem 
interna individual em que a morte resulta de condições de que o indivíduo é portador à 
nascença. À mortalidade que delas resulta chama mortalidade endógena. No segundo 
grupo engloba as causas de origem externa, provenientes do meio exterior, como resfria- 
mentos, acidentes alimentares, doenças infecciosas, etc. À esta mortalidade chama mor- 
talidade exógena. 
Vê-se que as causas que determinam a mortalidade endógena são da mesma 
natureza que as que determinam a nado-mortalidade, isto é, que um indivíduo que morre 
devido a uma causa endógena não é fundamentalmente distinto dum nado morto; pode- 
remos dizer que são factores casuais que determinam àa diferença de facto. É desta 
ordem de ideias que nasce o conceito de mortalidade perinatal que engloba num coefi- 
ciente único a nado-mortalidade e a mortalidade endógena. Além de ser um conceito 
que traduz de certo modo um fenómeno analisado por dois efeitos apenas legal e apa- 
rentemente distintos, a mortalidade perinatal tem ainda a vantagem de não ser afectada 
pelas diferentes definições de nado-morto e das atitudes pessoais perante os órgãos de 
registo civil. 
(*) Por mortalidade infantil clássica entende-se o cociente entre o número de mortes de 
indivíduos de menos de um ano de idade verificadas num ano e o número de nascimentos vivos do 
ano, multiplicado ou não por 1000, quando a diferença entre o número de nascimentos do ano em 
estudo e do anterior é apreciável recorre-se aos factores de reparação (Vidé Nota) para obter um 
denominador que é uma estimativa mais aproximada do grupo que produz o numerador. *
	        
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